Bruce Dean Willis

is Professor of Spanish and Comparative Literature at The University of Tulsa. His research and publications focus on diverse aspects of poetry and performance, and expressions of Indigenous and African cultures, in Latin American literature, particularly Brazil, Chile, and Mexico.

TIME FOR CHOCOLATE is available for purchase through One Act Play Depot! A brief description:

An intoxicating evening of music, poetry, and chocolate... in pre-conquest Mexico!
Based on a fifteenth-century dialogue among nobles schooled in rhetoric and philosophy, the play pits father against son in a war of words over the power and beauty of artistic expression.
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Monday, May 11, 2020

Jotabê


(poema pro Jorge Bandeira no aniversário 52 dele, 23/ABR/2020)

Jotabê, Jotabê, quem é Jotabê?
É um homem que veio do igarapé.
E é para lá que deseja voltar?
Tanto faz – ele mora no mesmo lugar.

Jotabê, Jotabê, como é Jotabê?
É um homem nuinho da cabeça ao pé.
E o que ele põe quando se tem que tapar?
Se veste de versos, de sol e de ar.

Jotabê, Jotabê, o que faz Jotabê?
Ele faz é desenhos e livros e play.
Não é no teatro que vai ensaiar?
No palco ele brinca e ensina sonhar.

Jotabê, Jotabê, o que diz Jotabê?
Ele diz que o mundo é nem que você.
E isso, o que pode significar?
Sei lá. Quer saber? Vá com ele falar!

Tuesday, October 23, 2018

Calavera Bolsonaro


Mucho cobarde se esconde
vilmente tras el gatillo,
pues busca algo en el bolsillo…
que agarrar no tiene dónde.

Un tal cretino que incita
a su gente a la violencia -
sin importar consecuencia
al ruin racismo la invita -
se llama Jair Bolsonaro.
Este bruto brasileño
pone desigual empeño
en promover el descaro.

Su seña reconocida -
con los dedos apuntando
cual pistolas disparando –
lo delata fratricida,
aun cuando sus comentarios
homofóbicos, racistas,
misóginos y fascistas
estimulan partidarios.

Pues hay quien lo apoya, ciego,
como rechazo al partido
que percibe corrompido,
sin ver corrupto el propio ego:
el voto por el malvado
es un voto por la saña
que al público tonto engaña
al sentirse muy halagado,
pero aunque se haga jurar,
promesa hecha por culebra,
por mucho que se celebra,
es imposible confiar.

Así pintaba el ambiente
cuando llegó la Catrina,
vestida de gente fina,
de la situación consciente.
Se acerca al exmilitar,
saboreando el disgusto,
y al malhechor le da un susto
que no logra disfrazar.
Sai de mim, Morte, depressa!
Aprecio seus favores,
mas não aturo seus pavores.
Seu voto em mim não interessa.
Le responde la Difunta,
“Como apuñalado fuiste,
pero con vida seguiste,
mi dedo-rifle te apunta.”

Y ahí petateó el capitán
por la Muerte señalado,
el ademán coreado
por los que despertarán,
los que dejarán atrás
a una calavera tiesa
por un Brasil que progresa
como tú, lector, harás.


PORT: Uma “calavera” é um poema satírico da tradição mexicana, próprio da temporada do Día de los Muertos. A calavera retrata o falecimento imaginado de alguma figura pública, de maneira inspirada pelo caráter ou os excessos dessa figura.

ENGL: A “calavera” is a satirical poem, traditional in Mexico during the season of Día de los Muertos. The calavera portrays the imagined passing of some public figure, in a way that is inspired by the personality or excesses of that person.

Friday, June 20, 2014

Manaus entre Emblemas e Espetáculos

A cidade de Manaus cresce além das expectativas. Definitivamente os limites da cidade na imaginação do mundo transbordam o que seria só o turismo da selva. Sem dúvida os turistas da Copa percebem que é uma cidade grande--grande mesmo--e não o que talvez pensavam: "uma aldéia no meio da Amazônia." Os governos municipal e do estado agendaram um número récorde de eventos culturais durante a Copa, e a segurança e receptividade da cidade têm sido louvadas. Tanto foi assim que, após serem realizados apenas dois dos quatro jogos programados, a cidade de Manaus ganhou o título de "melhor cidade sede da Copa."

http://www.silascamara.com.br/silas_camara/not_completa.php?cod=218
O desenho da Arena da Amazônia faz notícia pelos toques de cultura local e de sustentabilidade: a forma de cesto de palha, a função da armazenagem da chuva, o uso da energia solar, o reaproveitamento de materiais do antigo estádio, etc. Contudo fica claro que o preço enorme da construção e o trânsito piorado causaram polêmica, entanto os três operários que morreram por acidentes durante a construção foram lamentados e martirizados.

http://o.canada.com/sports/soccer/world-cup/world-cup-venue-arena-da-Amazonia
O que acho também relevante da Arena da Amazônia é a relação que ela tem com outra construção emblemática de Manaus: o Teatro Amazonas. Estes dois prédios, construidos para a promoção de espetáculos e para a recepção de visitantes estrangeiros (e brasileiros), agora servem como ícones da cidade. O primeiro do século XIX e o segundo do século XXI; o primeiro com capacidade de 685 pessoas e o segundo de 42.000; o primeiro com palco e o segundo com grama. O primeiro foi levantado como um monumento ao Velho Continente no coração no Novo Mundo; o segundo foi desenhado para refletir formas e valores autóctones (o cesto de palha, a preservação ambiental). O Teatro Amazonas até funcionou como cortina de fundo para a apresentação do cartaz oficial de Manaus como cidade sede, fazendo desse jeito um elo entre passado e futuro.

http://m.fifa.com/worldcup/photos/galleries/y=2012/m=11/gallery=the-host-cities-the-2014-fifa-world-cup-braziltm-unveil-its-official-pos-1954609.html
Apoio e concordo com os desejos da grande e perseverante população manauara: que a nova Arena sirva para muitos eventos além da Copa--concertos, jogos, espetáculos--ultrapassando o objetivo literal do "para inglês (vs. italiano!) ver" para ser uma jóia sustentável mesmo.

Tuesday, June 17, 2014

BRAZIL vs. MEXICO


There's a lot of me wrapped up in that headline, in many ways! What a great game it was today, one of the most exciting draws you could imagine in what was seen nonetheless as a victory for Mexico. Professionally, I've published more about Brazil than about Mexico. But I've taught more Spanish in my Mexican accent than Portuguese in my Brazilian one. If I were for some reason confined to either of those countries for the rest of my life, I would not care - I would be pleased, and I would feel at home. Such rich cultures, such variety. They are the two poles of what it means for me to be a Latin Americanist.




Because of their sizes, populations, and economies, Brazil and Mexico are the Latin American giants. But more than this, they are the giants of the soccer world. How can this be, if Brazil has won five World Cup championships (the record) while Mexico--though almost always a strong team and one of only a few nations to have hosted the World Cup itself twice--has not yet made it to the Round of Eight? It is because they have the largest populations in the world of soccer fandom. To start with the obvious, we can eliminate the global demographic colossi China, India, and Indonesia, which don't have World Cup-qualifying teams, nor do they seem to have the fan base for them. But what about Argentina? It's also an incredibly soccer-crazed nation with a large territory, yet its population is only slightly more than a third of Mexico's. In the Spanish-speaking world, Colombia and Spain have larger populations than Argentina's, but the two populations together are still shy of Mexico's.

Among the teams at this year's World Cup, it's true that the US, Russia, Nigeria and Japan all have populations greater than Mexico's (but--except the US-- lesser than Brazil's). Still, I would contend that the uniformity of soccer passion across practically all sectors of Mexican society (and including millions of Mexicans in the US) means that the nation as a whole is much more invested in its team than are the Americans, the Russians, the Nigerians, or the Japanese.

What this means is that the particular match BRAZIL vs. MEXICO holds the greatest possible combined national interest among the citizens of the countries whose teams are playing. No wonder it was an exciting game. It probably attracted the largest TV audience of the Group phase matches. Perhaps the teams will meet yet again before this World Cup is over!

Wednesday, June 26, 2013

de-cor-ar

A new room, more than one empty shelf,
spaces to fill with something about myself...

Brazilian books, a museum catalog
of Mexican art, a stylized frog
from Colombia made of clay,
a Chilean invitation for a special day,
en eclipse that was a gift for the wall,
more books to display to all
the visitors, some orchestral works from Brazil,
a brightly colored mug from the top of the hill
at Sugarloaf, a Taino statuette,
a Literature in Spanish encyclopedia set,
books on cinematic splendor and Panama's gold,
a compendium of maps from New Spain of old,
an Amazonian atlas, and from Paraty
a wooden boat a colleague gave to me,
a calendar in Portuguese,
and bookending all of these,
works by Fuentes and García Marquez.
But up in the corners where the shelves are darkest,
there are many more spaces to fill...

and it may be that to never fill them, I will.

Saturday, May 4, 2013

vista relativa

No Rio de Janeiro
o Morro Dois Irmãos
tem vista espetacular
o Pão de Açúcar
tem vista privilegiada
o Cristo Redentor
tem vista panorâmica

Os favelados do morro
têm vista espetacular
os ricos de Ipanema
têm vista privilegiada
os voadores de asa delta
têm vista panorâmica

Mas no Rio de Janeiro
a vista mais espetacular
mais privilegiada
mais panorâmica
é a vista que têm
ainda
os urubus

Wednesday, March 6, 2013

Wall of Macaws



Brazilian artistry on display at O Veleiro Bed & Breakfast (Hospedagem Domiciliar),
Botafogo, Rio de Janeiro

Saturday, February 16, 2013

Surgiu do Encante

 - O que foi? Cobra?
 - Não.
 - Peixe-boi? Tartaruga?
 - Não.
 - Boto? Iara?
 - Não.
 - Integrante dos Tucumanus? Do Teatro Eden?
 - Não.
 - Petróleo.
 - Também não.
 - Cadáver? Arca de tesouro?
 - Não.
 - Encomenda de mármore da Epoca da Borracha?
 - Não.
 - Godzila?
 - Tão pouca imaginação que é que você tem.
 - O ovo original do povo original?
 - Não.
 - Automóveis da Fordlândia?
 - Não.
...
 - Nem você sabe. Esqueceu, né?
 - Isso mesmo, cara. O que surgiu do Encante, foi a amnésia... 


Tuesday, August 28, 2012

rã rã rã

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

E quanto ao sujeto do sapo,
Ele quis sabê, podê falá, po-
dê batê comigo um bom papo,
mas dou um pulo e dele escapo!

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

E quanto à perereca,
que não é nem sapo nem sapeca,
da árvore pulou pra cueca,
e não quis sair pela camoeca!

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

Mas os batráquios e os anuros,
e seus girinos imaturos:
todos eles são indícios seguros
de que ainda temos ambientes puros.

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.


Wednesday, July 11, 2012

As Arvores da Vida

Altas, amarelas, delgadas e puras, rodeadas por cogumelos: são as árvores como falos que as mulheres da tribo abraçam e mordem... Estas árvores selváticas não são seringueiras que dão látex. Melhor ainda: a casca destas árvores possibilita a fertilidade ilimitada das mulheres ao longo de todos os anos da vida. Além disso provém a única defesa natural contra a malária. Quase a fonte da juventude em forma botânica, eis o tesouro do romance State of Wonder escrito pela celebrada autora norte-americana Ann Patchett.



A protagonista--a Dra. Marina Singh--sai do frio de Minnesota pra selva amazônica na procura do companheiro de trabalho desaparecido, talvez morto já. Fica claro que Marina vai achar mais do que isso: encontrará a famosa cientista Dra. Annick Swenson, paga pela mesma empresa farmacológica onde trabalha Marina e cujo presidente é o amante de Marina. No tempo que leva nos altos do Rio Negro, a Dra. Swenson tem desenvolvido todo um sistema de aliados e evasivas--não porque não tenha resultados, mas sim porque tem que protegê-los: proteger o precário segredo das altas árvores amarelas. Swenson, comparável com Kurtz do Heart of Darkness, dá vida e dá morte e dá vida-morte nesta narrativa em que os poderes da mortalidade concentram-se nas suas mãos. (A narrativa nos leva com um suspense apoiado pela memória de uma operação cesariana malfeita por Marina.)

O texto descreve a selva com seus insetos e a inevitável cena com uma cobra anaconda. A cidade de Manaus, onde visitei, é também descrita com precisão imaginativa. Conhecendo a área, e parte do folclore regional, eu tivesse gostado de ver no romance uma maior conexão com a iara, por exemplo, ou outros tropos amazônicos de sempre, pois as árvores que são o objetivo das pesquisas farmacológicas no romance, sugerem a conexão com tantos outros exemplos de produtos e seres explorados. Também tivesse gostado de um melhor cuidado do "bom e velho português" (nem que a minha expressão no idioma fosse perfeita). Em State of Wonder o português aparece só em algumas palavras ou frases breves, erradas com freqüencia - "jaca" (faca), "Dr." (Dra. quando mulher), e "obrigado" por "obrigada" quando fala uma personagem feminina que já deve saber disso!

O romance anterior da autora, Bel Canto, também é situado na América do Sul, em um país não identificado. Fica evidente o apreço que tem Patchett pelas maravilhas do continente. A maior maravilha, porém, talvez seja a ousadia de escrever um romance com final feliz (relativamente feliz) - de afirmar que as nossas opções humanas nem sempre são tão trágicas.

Wednesday, April 11, 2012

O Mundo Multipolar

Foi uma honra assistir o evento "Brasil-US: Parceria para o Século XXI" em Washington DC o dia 9 de abril, viagem patrocinada pela Universidade de Tulsa. Falaram Hillary Clinton, Antônio Patriota, e Maria das Graças Silva Foster entre muitos outros. Mas o destaque foi o discurso da Dilma. Tanto a presidenta quanto o ministro das relações exteriores apresentaram uma mensagem focada no mundo multipolar que é o mundo de hoje. E a secretária Clinton disse que o Brasil, particularmente, com a sua diversidade de estratégias energéticas, de investimento, e de educação (Jovens Embaixadores, Ciência Sem Fronteiras), é um modelo de como se enfrentar aos desafios e oportunidades desse panorama multipolar.

Muito papo que bateram em três sessões empresariais e mais três sessões acadêmicas. Aprendi das últimas iniciativas e as opiniões de importantes funcionários brasileiros e também americanos, que não só elogiaram. Também fizeram críticas e observaram áreas que precisam de melhoramentos do lado brasileiro e também do lado americano. Aproveitei para falar com um dos intérpretes, assim satisfazendo curiosidades minhas quanto à preparação que recebem os intérpretes profissionais.

Protesta na rua 14

Curiosamente quando todos saimos do evento, depois do discurso da Dilma, vimos e ouvimos na rua uma protesta muito esquisita. Eram uns vinte empregados da Embaixada Brasileira em Washington, apoiando o país pela roupa amarela e verde que levavam, porém protestanto o baixo salário que recebem, mais baixo do que o salário mínimo nos Estados Unidos. Diversidades, curiosidades, investimentos, energia. Tudo isso e mais.

Friday, February 17, 2012

Carne Vale

o que? você é vegetariana, que nem vegana?
mas a carne vale como carne humana
a carne vale na rua que nem no quarto
a carne vale na terça que nem na quarta
de cinzas de pó de fumo
convertidos e convestidos e transvestidos
os desejos com as suas fantasias
penas, pêlos, e antropofagias
quando tesão? quanto tesão!
eis uma incorporação
caníbal, cardápio carnívoro
como, logo sou
carne como você sou
carne ante você sou
carne com soma e carne consumo
carne com fome de mais
e mais carne
carne caramelo, cravo e canela
carne com leite, carne coletânea
carne fresca e nova que nem do Brás
carne velha e podre que nem do bispo
a carne me afoga na fome do fogo
do adão e da eva e da cacetada
carnes de cores e corações
carne sacra de devocões
carnes destacadas e desfiladas
carnes batucadas e esquentadas
caramba!
mas,
que seja carnaval porque a carne vale
e não carnaval porque a carne vai
embora
'ta vendo? valeu! fizemos foi carnaval!

Wednesday, January 25, 2012

Valer

To be worth it. This is the name of a publishing house / bookstore / espaço cultural in central Manaus that specializes in Amazonia. They publish on the history, art history, literature, theater, geography and sociology of the region, in visually stunning and expertly edited volumes. They have published the multi-volume Coleção Poracé, for example, which features plays by Amazonas-area playwrights such as Jorge Bandeira and Sérgio Cardoso, and they have produced beautiful editions of poetry collections, including Portuguese/Spanish and Portuguese/English bilingual versions of Manaus-born celebrated poet Thiago de Mello's "Os Estatutos do Homem" and his translation of Nicaraguan poet Ernesto Cardenal's "Manaus resucitado."


Livros da Valer

I had the great opportunity of visiting Valer on several occasions during July of 2011, including attending an event in which acclaimed native-son writer Márcio Souza gave a talk on Hamlet and its staging, with ad hoc translation, in Manaus in 2007. It was my fortune to meet, as well, managing editor Tenório Telles, a generous and engaging man responsible for much of Valer's value!

After returning to the States I realized that I should have purchased the Valer books, that I need for research and wanted for our university library, when I was there. Ordering them after the fact proved daunting for the library as well as for me. But with the help of the New York-based Atlântico Books, we finally received the volumes in the photo above. Atlântico Books specializes in Portuguese-language materials from Brazil and other Lusophone countries, and I strongly recommend them.

The Valer catalog seems to be their only real online presence. This is an area they can definitely work to improve, and it would help to facilitate their overseas sales as well. But in all other aspects, Valer is definitely "worth it." Valer, valeu!

Tuesday, January 17, 2012

História do Brasil em 26 Dicas

Esboço -- arbitrário, breve sem jeito, e até poético como qualquer lista -- com o objetivo de apresentar sucintamente a história do Brasil.

Impossível.

Mesmo assim, a seguir as 26 dicas para serem elaboradas e contextualizadas, servindo assim como cristalizações ou articulações num fio contínuo:

1. Pindorama
2. 1500
3. Pedro Alvares Cabral
4. Pero Vaz de Caminha
5. pau-brasil
6. bandeirantes
7. nheengatu
8. Amazônia
9. capitanias
10. quilombos
11. Zumbi dos Palmares
12. engenhos
13. Tiradentes
14. "Fico!"
15. Tríplice Aliança
16. cangaceiros
17. Lei Aurea
18. Ordem e Progresso
19. "Café com Leite"
20. Semana de Arte Moderna
21. Estado Novo
22. "50 anos em 5"
23. ditadura militar
24. 1 real, 10 reais
25. Lula
26. "o gigante acordado"

Monday, October 31, 2011

Abóboras das Américas

Verdes, amarelas, brancas, ou cor-de-laranja; enormes ou pequeninas; lisas ou ásperas, as abóboras americanas têm um papel fundamental não só nas tradições alimentícias mas também no folclore do hemisfério. Sabemos por evidências arqueológicas que foram cultivados diversos tipos de abóboras há dezenas de séculos nos Andes e em Meso-américa, e que através do tempo as abóboras têm complementado o regime básico de feijão, milho, batatas e pimentas. Nos principais idiomas americanos de hoje, os nomes das variedades são múltiplos: pumpkin, zapallo, abobra, squash, porongo, gourd, sem esquecer os primos calabaza, cabaça, e calabash, mesmo que estes últimos não aludem ao mesmo fruto.

No folclore americano a família das abóboras é associada à origem do mundo e também ao ciclo da vida. Por exemplo, segundo a mitologia taína, Deminán era o filho de Yaya, espíritu divino. Deminán fez cair, do teto da barraca de Yaya, uma abóbora que continha os ossos do irmão mais velho dele. Quando a abóbora rompeu no chão, nasceram dela os rios, os lagos, os mares, e dos ossos do irmão nasceram todos os peixes. Com certeza as sementes da abóbora parecem peixes!

Também na cosmologia maia do povo quiché, na estória dos gêmeos heróis do Popol Vuh, a abóbora tem um papel importante como metáfora plurivalente. Um dos gêmeos utiliza uma abóbora para substituir a cabeça do irmão, morto por um morcego que lhe tirou a cabeça. (O pai deles tivera perdido a cabeça, que foi pendurada numa árvore e de onde produziu saliva-sêmen que engravidou a mãe dos gêmeos.) Com a cabeça-abóbora, os gêmeos enganaram os Senhores de Xibalbá, o Lugar dos Mortos, no jogo parecido com o futebol que era típico dos povos meso-americanos. Depois os gêmeos converteram-se na Estrela da Manhã e na Estrela da Tarde (Venus). Quer dizer que a abóbora forma um elo unindo uma série de imagens relacionadas cosmologicamente: cabeça, balão, estrela, e as épocas cíclicas do universo.

Aquilo de subsituir a cabeça por uma cabaça é um motivo repetido na célebre lenda norte-americana, escrita por Washington Irving, "The Legend of Sleepy Hollow." O fantasma do cavalheiro degolado leva uma abóbora como se fosse cabeça, a que atira e atinge no amedrentado Ichabod Crane no caminho desolado de uma noite de outono. Fica claramente implicada aqui a tradição do jack-o'-lantern, costume que praticava-se na Irlanda entalhando o nabo para fazer uma lanterna vegetal mas que, uma vez transplantada aos Estados Unidos, assumiu o rosto da abóbora.

No Brasil também abundam abóboras, e outros frutos da mesma família genérica (como o melão e a melancia), nas lendas que implicam o ciclo da vida de várias fontes indígenas (como o nascimento, de um melão, da serpente-via láctea). Segundo Câmara Cascudo, a origem da personagem da "cuca" pode ser no fato de essa palavra significar, em algumas regiões do país, a abóbora quando perfurada para desenhar olhos, nariz e boca. Neste dia de Halloween e temporada mexicana do Dia dos Mortos, fica cristalizado--naquele sorriso de caveira que tem o jack-o'-lantern--o melancólico perceber, no contexto americano, do ciclo da semeada e da colheita, da vida e da morte.

Wednesday, October 12, 2011

The Day of the Race

The Day of the Race or, better, Day of the People, is a pretty silly moniker for a concept both superficial and alarmingly deep.

It was October 12, 1492 that Columbus and his crew made landfall in the Bahamas. In the US this commemoration has become Columbus Day, one of those push-it-to-the-nearest-Monday holidays beloved of those people who need so much love: bankers. While the Italian-American community has appropriated the day as a celebration of national heritage, and the Hispanic-American community regards it as an appropriate closure for Hispanic Heritage Month, some US  states have renamed the day "Native American Day," or let it be called both names.

In Brazil the date is widely ignored, since, as famed singer / songwriter Caetano Veloso elaborates in his memoir Tropical Truth (translated by Isabel de Sena):

"As children we learned that Brazil was discovered by the Portuguese navigator Pedro Alvarez Cabral on April 22, 1500. All other American nations consider it enough to have been discovered by Christopher Columbus in 1492" (3).

Veloso highlights this fact as the beginning of a kind of Brazilian exceptionalism, and develops it to accommodate conflicting geographies of Brazil as island, continent, and nation. The slight has also to do with frontier finagling prior to the Treaty of Tordesillas, and the rejection of Columbus's financing needs by the Portuguese king João II, whom the admiral had visited before soliciting Fernando e Isabel in Spain.

But in the Spanish-speaking nations of the Americas, whose conquest and colonization were most directly linked to Columbus's meanderings financed by the Spanish monarchs, the day has taken on a polyvalence encompassing touchy subjects like nationhood, ethnicity, and race. In Mexico, especially, the day is linked to the masterfully succinct wording on this plaque at the Plaza de las Tres Culturas, itself a site of incredibly mixed messages due to the 1968 massacre of Tlatelolco:

EL 13 DE AGOSTO DE 1521 / HEROICAMENTE DEFENDIDO POR CUAUHTEMOC / CAYO TLATELOLCO EN PODER DE HERNAN CORTES // NO FUE TRIUNFO NI DERROTA / FUE EL DOLOROSO NACIMIENTO DEL PUEBLO MESTIZO / QUE ES EL MEXICO DE HOY

Post-revolutionary Mexico's take on re-evaluating and promoting its indigenous heritage retains its strong link to the writings of José Vasconcelos (1882-1959), philosopher, politician, and education reformer whose 1925 essay La raza cósmica exalts mestizaje, or ethnic mixing, as a Latin American essential quality with the potential to redeem the other, less mixed "races." Fraught with difficulties, imprecisions and aporiae, and even having been interpreted as inherently racist itself, the concept of the "cosmic race" nonetheless continues to affect thinking about what it means to be Latino, Latin American, Hispanic, etc. vis-a-vis the wider world; witness the name of The National Council of La Raza (NCLR), "the largest national Hispanic civil rights and advocacy organization in the United States."

Curiously, though, even in Mexican official discourse the celebratory idea of the "raza" is not always mestizo. The Monumento a la Raza, on the Avenida Insurgentes not far from the Plaza de las Tres Culturas in northern Mexico City, recasts the Mesoamerican pyramid and crowns it with the cactus-perched eagle--the "sign" that the Mexica sought in order to found Tenochtitlan.

MONUMENTO A LA RAZA, AVENIDA INSURGENTES, CIUDAD DE MEXICO



In this iconic imagery, "raza" would appear to be exclusively indigenous. The monument's construction was completed in 1940, during the heyday of indigenous re-imaginings by artists such as Rivera, Kahlo, Siqueiros, Orozco, and Tamayo.

Perhaps the best name would be "Mutual Discovery Week," with days for Africans, Native Americans, Southern Europeans,  Polynesians, Northern Europeans ("Leif Erikson Day," already October 9)... But no more "bank holidays," please!

Friday, September 16, 2011

Independencia

in - dependencia
ou seja a não dependência
pero ¿qué tal si lo que se siente
é uma coisa tipo co-dependência?
¿De qué dependo?
Do que penduro?
Tenho uma divisão em mim,
una división en mi dependencia,
do verbo "dividir" que significa não só "separar"
sino también da el sentido de "compartir":
coitado daquele que tem uma pátria só,
porque yo tengo tres.

Quando estamos na hora de celebrarmos
el día de la independencia
dependo, pues, de mi afiliación mexicana
tanto quanto a minha afiliação brasileira
septembrinas, las dos,
entanto
I pledge allegiance
to the flag
of the United States of America

¿De qué dependemos?
Do que somos independentes?
Depende.

Monday, September 12, 2011

A Dança dos Elementos

Água, terra, fogo e ar:
dançava Dora Vivacqua.
Dançava ela, Luz del Fuego:
terra e ar e fogo e água.

Dançava a mulher heróica,
nua vivia e dançava.
É que na verdade nua
atuava e acreditava.

Só vestia duas cobras -
com duas cobras dançava:
sua sinuosidade e
sua pele ressaltavam.

Pioneira do nudismo
no Brasil, criou com fama
o éden, a Ilha do Sol,
Baía de Guanabara.

O nome artístico dela,
de origem quotidiana
num batom argentino, com
o outro nome faz mandala:

Dora: de ouro, vem da terra.
Vivacqua: vai vida d'água.
Luz: ondas vibram no ar.
Fuego: calor cor das chamas.

Na dança dos elementos
o corpo despido fala
com a naturalidade
plena que é da vida humana:

O nu se deita na terra.
Toca a areia, sente a lama.
A nua corre na brisa.
Curte o ar por toda a área.

A nua recebe o fogo
do sol que doura e abraça.
E o nu que banha no rio
mergulha, bóia e nada.

Pede estar nu nosso corpo
que nos elementos dança.
O contato inteiro, cheio,
completa a nossa mandala:

Água, terra, fogo e ar:
dançava Dora Vivacqua.
Dancemos todos despidos:
terra e ar e fogo e água.

Monday, July 18, 2011

Miscelânea Manauara

Dez dias em Manaus! Um ótimo mergulho na cultura amazonense quanto ao teatro, performance, à vida literária e cultural da capital do Amazonas! Meus agradecimentos profundos aos que tanto me ajudaram: Jorge Bandeira, Gislaine Pozzetti, Leopoldina Couto, e mais outros da Faculdade de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas, e Tenório Telles da Editora Valer! Valeu!

O Rio Negro e Manaus

Medição do nível do Rio Negro - atingiu no máximo no 2009

A entrada do Parque Municipal Jéfferson Peres e uma enorme bandeira amazonense

Vista do Teatro Amazonas com a Igreja de São Sebastião

No Museu Amazônico: a Luva das Formigas, rito de iniciação

Beco que dá ao Teatro Amazonas

Paisagem amazônica com arco-iris após a chuva

Paisagem amazônica ao entardecer

Monumento da Abertura dos Portos, na Praça do Largo de São Sebastião

Não é Copacabana, não! 
Pavimentação da Praça do Largo de São Sebastião, mais antiga do que os mosaicos do Rio

Thursday, July 7, 2011

Na Cidade Maravilhosa

Eu nem acreditei
no número de dias de construção da ponte
no custo projetado das reformas para o Maracanã
e muito menos na chegada dos antigos fenícios a deixar um rosto enorme
esculpido no Morro Dois Irmãos.

Mas,
lá em Ipanema,
eu vi o coqueiro insólito.

Pois é, eu fui testemunha de que um coqueiro,
só um da fila larga à beira da avenida movimentada,
girava de vez em quando,
dançando de capricho,
para a alegria geral dos transeuntes.

Eu vi o coqueiro girar,
e fiquei acreditando em tudo acontecer
na Cidade Maravilhosa.