Bruce Dean Willis

is Professor of Spanish and Comparative Literature at The University of Tulsa. His research and publications focus on diverse aspects of poetry and performance, and expressions of Indigenous and African cultures, in Latin American literature, particularly Brazil, Chile, and Mexico.

TIME FOR CHOCOLATE is available for purchase through One Act Play Depot! A brief description:

An intoxicating evening of music, poetry, and chocolate... in pre-conquest Mexico!
Based on a fifteenth-century dialogue among nobles schooled in rhetoric and philosophy, the play pits father against son in a war of words over the power and beauty of artistic expression.
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Monday, May 11, 2020

Jotabê


(poema pro Jorge Bandeira no aniversário 52 dele, 23/ABR/2020)

Jotabê, Jotabê, quem é Jotabê?
É um homem que veio do igarapé.
E é para lá que deseja voltar?
Tanto faz – ele mora no mesmo lugar.

Jotabê, Jotabê, como é Jotabê?
É um homem nuinho da cabeça ao pé.
E o que ele põe quando se tem que tapar?
Se veste de versos, de sol e de ar.

Jotabê, Jotabê, o que faz Jotabê?
Ele faz é desenhos e livros e play.
Não é no teatro que vai ensaiar?
No palco ele brinca e ensina sonhar.

Jotabê, Jotabê, o que diz Jotabê?
Ele diz que o mundo é nem que você.
E isso, o que pode significar?
Sei lá. Quer saber? Vá com ele falar!

Saturday, February 16, 2013

Surgiu do Encante

 - O que foi? Cobra?
 - Não.
 - Peixe-boi? Tartaruga?
 - Não.
 - Boto? Iara?
 - Não.
 - Integrante dos Tucumanus? Do Teatro Eden?
 - Não.
 - Petróleo.
 - Também não.
 - Cadáver? Arca de tesouro?
 - Não.
 - Encomenda de mármore da Epoca da Borracha?
 - Não.
 - Godzila?
 - Tão pouca imaginação que é que você tem.
 - O ovo original do povo original?
 - Não.
 - Automóveis da Fordlândia?
 - Não.
...
 - Nem você sabe. Esqueceu, né?
 - Isso mesmo, cara. O que surgiu do Encante, foi a amnésia... 


Tuesday, August 28, 2012

rã rã rã

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

E quanto ao sujeto do sapo,
Ele quis sabê, podê falá, po-
dê batê comigo um bom papo,
mas dou um pulo e dele escapo!

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

E quanto à perereca,
que não é nem sapo nem sapeca,
da árvore pulou pra cueca,
e não quis sair pela camoeca!

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.

Mas os batráquios e os anuros,
e seus girinos imaturos:
todos eles são indícios seguros
de que ainda temos ambientes puros.

Da rã sou fã
Sou fã da rã
Da rã sou fã
e todo o clã.


Wednesday, May 23, 2012

Palenque: Luna llena

Esa noche la robamos del día:
Del día, con sus turistas,
la noche plena, húmeda, tropical.
Y la luna llena, de pilón.

Dejamos atrás las hamacas alquiladas
de Semana Santa,
mil novecientos ochenta y nueve.

El guía nos llevó sigilosos por el sendero selvático.
Presagio de sensaciones prohibidas.

Entramos en el recinto fosforescente
de cal iluminada, de hueso pulido y relamido
por la lengua de la luna.

Subimos una colina y presenciamos hechizados
la llegada de un singular shamán emplumado,
que arrojaba plegarias canturreadas desde la base
de la Pirámide de las Inscripciones.

Esquivamos el rito solitario y subimos
donde no debimos:
alturas del Observatorio,
alturas del viaje de los hongos alucinógenos
ofrecidos de repente, pero casi de obligación.

Calamos, bajo estrellas multiplicadas,
horizontes milenarios
y no por eso nunca antes vistos.

De regreso por la selva túrgida
nos detuvimos en el Baño de la Princesa
a nadar como recién nacidos,
desnudos como tímpanos enteros y estirados
entre la urgencia retumbante de las ranas
y la nítida sordez del sagrado mundo sumergido.

En algún momento regresamos
sin consecuencias evidentes.
Sin embargo es mentira,
porque sigo allá en Palenque,
tendido en una hamaca de vibraciones,
en sueños repercusivos,
en ecos que se alejan
sólo cuando no se aproximan.

Como la luna.

Monday, July 18, 2011

Miscelânea Manauara

Dez dias em Manaus! Um ótimo mergulho na cultura amazonense quanto ao teatro, performance, à vida literária e cultural da capital do Amazonas! Meus agradecimentos profundos aos que tanto me ajudaram: Jorge Bandeira, Gislaine Pozzetti, Leopoldina Couto, e mais outros da Faculdade de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas, e Tenório Telles da Editora Valer! Valeu!

O Rio Negro e Manaus

Medição do nível do Rio Negro - atingiu no máximo no 2009

A entrada do Parque Municipal Jéfferson Peres e uma enorme bandeira amazonense

Vista do Teatro Amazonas com a Igreja de São Sebastião

No Museu Amazônico: a Luva das Formigas, rito de iniciação

Beco que dá ao Teatro Amazonas

Paisagem amazônica com arco-iris após a chuva

Paisagem amazônica ao entardecer

Monumento da Abertura dos Portos, na Praça do Largo de São Sebastião

Não é Copacabana, não! 
Pavimentação da Praça do Largo de São Sebastião, mais antiga do que os mosaicos do Rio

Monday, May 23, 2011

O Banho de Nezahualcóyotl

"Vá tomar banho!"

A voz divina, sinuosa-e-empenada de Quetzalcóatl pareceu emanar do ar para se anidar no ouvido de Nezahualcóyotl, ajoelhado em meditação no templo.

"Vá tomar banho!"

Então: a fazer, porque quando fala a Serpente Emplumada, a gente obedece, e mais o tlatoani dos texcocanos. Imediatamente começou a desenhar um parque, para lá no morro de Tezcotzinco, porque não poderia ser qualquer banho. O tlatoani teria que emular o banho purificativo e meditativo que tomou Quetzalcóatl na sua existência humana, na época em que foi tlatoani dos toltecas. Banho como rito, cerimônia, nascimento, comunhão, até mesmo apoteose.

Durante uns mêses os lavradores transformaram a face do morro. Tomou forma uma série de trilhas, nichos, aquedutos, jardins, todo se abrindo no panorama espetacular que teria Nezahualcóyotl ao se sentar no banho redondo, sítio do rito. O banho tinha saida de água, reta, que fazia nascer uma pequena cachoeira; desse jeito jamais seria banho de água totalmente estancada.

O tlatoani esperou a primeira noite na que apareceu a estrela da tarde no seu ciclo. Quando caiu o sol, Nezahualcóyotl deixou cair sua manta no chão. Começaram nascendo as estrelas como da nudez dele, sagrada nudez que é a forma de qualquer recem nascido. Ele se sentou na tigela do banho, e a água quentinha, preparada ao fogo de lenha de carvalho, começou a cair, vertida pelos ajudantes.

Outros ajudantes colocaram tochas acesas ao lado do banho, mas ficavam perto demais, e o tlatoani mandou que se afastassem tochas, ajudantes, tudo. Só então, com a tranqüilidade aquática, veio uma inundação de inspirações: idéias, imagens, pensamentos e emoções expressadas como flor e canto. O rei enfim descansou, deixando voar a mente pelos detalhes de alguns projetos de lei, outros jardins e aquedutos a desenhar, um hino a Tloque Nahuaque...

E nisso, subitamente desceu, silenciosa, uma garça, se pousando majestuosamente sobre a água do banho. Nezahualcóyotl, admirado, a viu como símbolo de uma epifania...de que o fundamental artístico é a imersão no processo criador contínuo: se fluirem as águas, a garça virá.

Senhor e ave dividiram o banho uns momentos. Quando a garça  se foi embora, as longas asas brancas batendo poderosamente no ar, Nezahualcóyotl saiu do banho. Rejeitou as roupas que lhe ofereciam os ajudantes e subiu despido ao cima do morro, seguindo com a vista o vôo da garça pelo Lago Texcoco.

Assim voa o pensamento do sábio, o sentimento do artista verdadeiro, pensou Nezahulacóyotl. Com raiz na terra assim como eu, desnudo e limpo assim como eu, mas voando pelos céus divinos com o poder da expressão bem feita. Assim é que nós, coitados filhos dos deuses, podemos deixar mais alguma coisa que sobrevive sobre a face da terra, antes de chegar o momento da morte.


Não por muito tempo aqui na terra. Só um momento estamos aqui na terra.

Rei severo porém democrático, mandou que os ajudantes fizessem como ele: que tomassem banho e que subissem o morro nus. Os cinco homens ficaram no cume ate o amanhecer, na vigília dos sonhos mortais.

Wednesday, May 11, 2011

Chamizal Dream

Moment of peace
                             overlooking the river,
         changing flow and shifting banks
switching as often as its name.

Monument of peace
        setting a treaty
                        settling a boundary
             tracing a war wound.

Man of peace
          prizing vigilance
                   celebrating synecdoche
                                 chronicling dreams.

Mothers of peace
                                working on this side
                  working on that side
                       working, always working

Moment of peace
                         sweating the desert
                 reading the lines
         gauging prospects.

In Chamizal,
between wound and salt,
between undocumented and legal,
to dare to Act to Dream.


(Obama speaks on immigration, Chamizal National Memorial Park in El Paso, Texas, 10 May 2011, Mother's Day in Mexico)

Wednesday, March 9, 2011

Paradise Truncated

I see them approach*
the way that the light through the folia*...it's gold*
the way that the mist from the waterfall
their bronze and burnished skin uninterrupt*
then, parrots: concentrated explosions of color and sound
monkeys of several kin*, a sloth: kinetic and potential, spring from / hang from
abundan* trees reach for light
round, sticky, sweat*, the sun perm*
butterflies bubble, resplend transcend efferv*
I see them kiss, embrace in the waterfall:
an instan* washes over an instan* to sculpt a constan*
kinetic springs, finds potential
I see them, their torsos, their trun* forc* the water down new riv*
which way to go, what will be*
what are they searching for
have they found parad*

Tuesday, February 15, 2011

Súplica do Boto

Se recebesse o boto
o poder de falar por um minuto,
diria sem rodeios:

"Sim, meu sorriso é permanente
e gosto demais da cor rosa.

E sim, sempre achei engraçados
aqueles contos que me retratam
como o libertino amazônico,
culpável de qualquer
gravidez
"misteriosa."

Mas ora gente,
suficiente tenho com
esquivar 
redes de pesca e hidrelétricas
navegar 
entre poluição e motores de lancha,
então
não abuse do meu
comportamento amistoso.
Deixe de me
matar de me
massacrar e de me
despedaçar:

Meu olho, arrancado, não atrai mulheres.
Meu pênis, desmembrado, não dá para feitiço varonil.
Minhas nadadeiras, separadas, não oferecem remédio nenhum.

Minha carne desfeita: ah, minha carne sim é boa 
para piracatinga alimentar.
Mas que seja quando eu morrer, 
finalmente, 
naturalmente,
não porque você me mate agora!

Rio sem botos é como boto sem dentes,
é um desequilíbrio descomunal.
Deixe de me matar.
Eu e você somos seres inteiros e complexos, 
tanto como o rio.

Obrigado."

Ouviu?

Monday, January 3, 2011

Lost Legends Triptych: Sonnet III

A beira do amplo rio inacabável,
deliravam soldados acabados:
numa beligerância formidável,
caiam os companheiros flechados.

Mas a força guerreira inexorável,
eram mulheres de seios cortados?
De cabelo longo e rosto implacável,
as Amazonas de arcos alongados?

Viram o que viram, ou o que quiseram?
Desvairaram, inventaram, fizeram?
Todos levamos, como com cadeia,

o que não podemos deixar de ver,
o que não devemos deixar de crer:
o Colombo atônito ante a sereia.

Sunday, January 2, 2011

Lost Legends Triptych: Sonnet II

Escondida está la ciudad dorada,
sus tesoros envueltos en maraña.
Los fieles locales guardan con saña
su secreto, cual súplica sagrada.

Quien encuentre la entrada deseada
tendrá que dominar fuerza con maña:
el cacique, que en su lago se baña,
a sus guerreros manda a la emboscada.

Y El Dorado zambulle entre destellos
de su antiguo museo sumergido.
Sus riquezas son los reflejos bellos

de lo que los iberos no han intuido:
que en vez de espadas clavar en poblados,
hubieran aprendido a echar clavados.

Saturday, January 1, 2011

Lost Legends Triptych: Sonnet I

Of youth the fountain Spaniards sought in vain,
its spurting plumes imagined, jets of froth,
crystalline showers of nourishing broth,
miraculous relief from age and pain.

Perhaps the font, difficult to obtain,
surged hidden from a swamp or barren swath.
Would it be wont to bathe bereft of cloth,
or only drops upon the tongue to rain?

The puzzle ground down into sterile loam.
The searchers were not used to giving up.
Had they but thought to make by hand the foam,

upon its form to ponder and to sup,
then youth had sprung from joyful font of bone,
its essence to imbibe from rustic cup.

Monday, November 8, 2010

muiraquitã


das 
águas nasce,
feita a forma
do barro do fundo,
peixe, ou rã, ou jacaré
para se pendurar no colo
do amado, 
no peito perto
do coração e seus fluxos,
ou mesmo para se colocar
no lábio perforado e perorado
"fez da muiraquitã um tembetá"
unindo a origem, a sopa primordial
ao lugar da fala, ao óculo que produz
esses sons que chamamos de língua
de lembrança de linguagem de lírica
de lama-gole de lambe-garganta 
de lamento-gargarejo e de lascívia-gula
da longe origem lingüística vem a muiraquitã 

Tuesday, September 28, 2010

Cordel das Iaras Irmãs

Venho contar pra vocês
um cordel de três irmãs
simpáticas e bonitas,
inteligentes e sãs,
porém elas são humildes,
não altaneiras nem vãs.

Moram numa ilha tranqüila
bem no meio da Bahia---
a que é de Todos os Santos--
nadando a periferia,
brincando e cantando estranhas
e aquáticas melodias.

Elas nadam nuas sempre--
assim descoberto o peito--
sem malícia, sem pudor,
naturais, sem preconceito,
porque estas irmãs são iaras.
Vivem nuas desse jeito!

Moqueca é a irmã mais velha.
Alta, negra, responsável,
toma conta da família,
mantém a harmonia estável.
Quando acha oportunidades,
procura a recomendável.

A segunda é Mariscada.
Moreno tem o cabelo,
pele canela, olhos verdes,
e um balanço muito belo
pois nada contra a corrente
seguindo um sonho sem vê-lo.

A mais nova, ainda pequena,
de nome Macarronada,
é ruiva, baixa, gordinha.
Disposição animada
tem, pois em todo momento
atua precipitada.

Macarronada é produto
de outra família; é adotada.
Não é baiana; é mineira.
Tem a pronúncia alterada.
Mesmo assim ela faz canto
e com suas irmãs nada!

O caso é que resolveram
cuidar da Praia da Barra
protegendo-a de inimigos
de uma maneira bizarra,
pois vão ouvir como elas agem
segundo este cordel narra.

Foi numa noite de nuvens,
acesa a luz do farol,
o lampião quase visível
como faíscas de sol,
que apareceram dois barcos
da frota do rei espanhol.

As três irmãs, espreitando,
ouviram esta conversa:
"Estos brutos de Bahia
tienen su armada dispersa."
"Después de nuestro saqueo,
¡cómo quedará de adversa!"

"Ataque!" as iaras gritaram,
e agitaram as correntes
fazendo bater as caudas.
As águas ficaram quentes
e os madeiros dos navios
soltavam fumaça, ardentes.

Com raiva na água fervida,
fizeram-se cozinheiras.
Moqueca mudou de canto,
pediu favor das palmeiras
mandarem voando os cocos
pelas brisas passageiras.

Atingiram nos navios,
dando leite em goteirões.
Chamou os outros ingredientes:
cebolas e pimentões,
alho, azeite de dendê,
tomates e alguns limões.

Chegaram voando no ar
e cairam perto dela.
Então tudo misturou.
Fez da bahia panela,
e cozinhou quanto fruto
do mar que cabia nela.

Mas Mariscada achava ruim--
sacrifício insuportável--
deixar tanto peixe morto,
pois curtia o "sustentável."
Então com Macarronada
fez um plano formidável:

Magicamente teceram,
usando uns grandes novelos
feitos de uma coleção
familiar de seus cabelos,
uma rede limitando
a área desses bons apelos.

Assim ficaram presos
os espanhóis nos seus navios:
a zona interior fervia.
Protegidos pelos fios,
na zona exterior pulavam
peixes e animais sadios.

"¡Por Dios! ¡Nos están guisando!"
os marinheiros berraram.
Suando, desesperados,
rapidamente tiraram
casacos, camisas, calças
até despidos ficaram.

As iaras os viram nus,
desarmados e perplexos.
Aí falou Macarronada:
"Os jeitos não são complexos.
A comida já está feita e
pro baile, ambos os sexos!"

Adotando aquela idéia,
lembraram dicas maternas:
morderam-se os rabos, jeito
de dar mudanças internas,
transformando o que é de peixe
numas belas e fortes pernas.

Convertidas em mulheres,
subiram nas caravelas
trazendo moqueca quente
numas mágicas tigelas.
Os homens, maravilhados,
não desistiram de vê-las.

De novo elas cantaram,
os guerreiros convidando
a comerem e dançarem
toda a noite, desfrutando
a festa náutica e nua,
o farol iluminando.

Os espanhóis aceitaram.
A festa foi um sucesso.
Foi mostrada a cortesia
naquele alegre congresso.
Quanto aos bons fins diplomáticos,
A nudez virou progresso!

Muitos fazem homenagem
à mensagem dessa lenda.
Com apreço se reúnem
a fazer da nudez, senda
da humanidade instruída
a ver o mundo sem venda.

Por isso é que o dia de hoje,
quando vem alguém à praia
dançar e comer ao sol
sem sunga, tanga, nem saia,
deve ter zona marcada,
todos respeitando a raia!

Friday, June 25, 2010

Flush


Slick
                                    Slick   
                                                                        Slick
Dispersants.
The Gulf is so big.
Slick
                                    Slick   
                                                                        Slick
Crustaceans.
The shrimp are so small.
The encabpsulated drobps of bpetroleum add ubp
bpeyond where anybpody can count.
Blackened fish? Fish oil?
This is not what the health guides mean.
Pelicans gulping
for air / not fish.
Dolphins diving
for clear water / not fish.
This mess is so huge and so smelly and so dirty
that the only plumber who can
flush this bowl
is the ancient one-legged storm-bringer,
pan-Caribbean creator / destructor
Hurakán.
Natural solution / divine intervention
to a manmade problem.
What will happen then?
Slick
                                    Slick   
                                                                        Slick
Dispersal:
Drobplets encabpsulating Houston.
Drobplets encabpsulating Atlanta.
Drobplets encabpsulating Washington.
And at least a few little drobplets sent
along the Gulf Stream
to London.
Hurakán can see to that.

Wednesday, March 31, 2010

Quetzalcoatl on Balance

The name of the cultural hero Quetzalcoatl refers to a pan-Mesoamerican god as well as to one or several like-named Toltec priests. The Nahuatl word itself means, usually, "plumed serpent," although quetzal can also mean precious (the cherished iridescent green feathers of the tropical bird) and coatl can also mean twin. In fact, on the round Sunstone or Aztec Calendar, Quetzalcoatl is depicted encircling half of the periphery in serpent form, with the other half encircled by his serpent twin god/avatar, Ehecatl, the wind. Their faces emerge from the snakes' jaws and meet with out-thrust tongues as obsidian blades: the power of speech, or thirst for blood?

Hernán Cortés learned about the alleged coincidence of the year of his arrival from the east to Mesoamerica (1519) with the year of Quetzalcoatl's foretold return from the east (One Reed), and used the information to his advantage in the campaign to conquer Moctezuma's empire. Within a decade or two, the Spanish clergy and crown wondered if the stories about the seemingly enlightened and benevolent Quetzalcoatl (perhaps the priest), could have been narrating the life of the apostle Thomas, also a twin and supposed to have spread the gospel as far as "India." The Maya called him Kukulkán, and the deity has come to be associated with many identities and avatars including Mesoamerican leaders in general, but as well-known Mexican cartoon artist Rius specified in the title of his 1987 black-and-white graphic contextualization of the legend, "Quetzalcoatl no era del PRI."

What entices about Quetzalcoatl is the union of opposites that he embodies, in name and in image: terrestrial and ethereal, reptilian and avian. It even seems that this union--reconciliation or equilibrium--is that which is necessary for creation: he is the deity of the arts, handicrafts, writing, and creative endeavors in general, even the creation of mankind, for which he is given credit at the beginning of the fifth sun. To create humans he had to mix corporeal opposites: bones (the remains of the dead in Mictlan) and semen (or the euphemistic "penis blood"), death and life. If Quetzalcoatl encompasses opposites in reconciliation, then his opposite, the deity Tezcatlipoca (Smoking Mirror), denotes opposites in conflict. Together, they themselves form a sort of meta-opposition opposition, like yin and yang.

Quetzalcoatl receives a new identity in D. H. Lawrence's 1926 novel The Plumed Serpent: Ramón Carrasco. Lawrence's vision, in which Ramón revives a Quetzalcoatl cult, is so bold as to depict the toppling and burning of the Catholic saints, the historical reversal of the Spaniards' treatment of the Mesoamerican idols. Ramón, a wizened and stately intellectual, writes hymns to Quetzalcoatl that are dispersed and sung in clandestine congregations throughout the Mexican countryside. Ramón eventually accepts the popular idea that he has become Quetzalcoatl. His associate Cipriano becomes Huitzilopochtli and the Irish protagonist, Kate Leslie, halfheartedly becomes a new in-between goddess with the historically resonant name of Malintzi.

That Lawrence mixes elements from the South American El Dorado legend into the tale can be forgiven, since he does it so compellingly, converting a lake in Jalisco into the glittering tribute of time before time whence arises anew Quetzalcoatl. The rituals and vestments that Lawrence conceives to flesh out the logistics of the cult surpass even what is perhaps the only comparable scenario from 20th-century Mexican letters: the resurgence of a Maya cult in Rosario Castellanos' 1962 Oficio de tinieblas. Ramón's followers hold one hand to the earth and the other to the sky in their worship, and they are encouraged to emulate the Morning Star, meeting their fellow humans and especially their spouses "between day and night, between the dark of woman and the dawn of man, between man's night and woman's morning." Ramón's corporeal quest for balance, through his worshippers' gestures and dances, is meant to correct the "realization that Christianity had reached a dead end of disembodied spirituality," according to L. D. Clark' excellent 1964 analysis Dark Night of the Body.

Lawrence's editors wouldn't let him keep his original title Quetzalcoatl. No matter: the writer's Jungian insights into creation as propelled by the nature of conflict and harmony, played out in the novel on so many levels (female and male, America and Europe, body and mind, peace and war), elucidate in astounding detail the mystical essence of the precious plumed serpent twin. Those interested in reading English-language interpretations of the 2012 Maya calendar end-time would be wise to choose The Plumed Serpent, as allegory of enlightened change, over most of the titles on the bestseller racks.

Monday, November 30, 2009

Oxum Pinta a Arara

My version of an etiological legend about Oxum, Afro-Brazilian goddess of beauty and of rivers, lakes, and cascades, and the origin of the scarlet macaw. 

Com as penas douradas e azuis, a arara ostentava as cores prediletas de Oxum, a orixá da beleza e das águas doces. Por isso era o pássaro preferido dela. Além disso, aquele primo dos papagaios adorava construir ninhos em buracos seguros perto das cachoeiras, fenômenos naturais sagrados da orixá. Muitas eram as tardes nas que a deusa tomava banho na espuma de algum salto d'água enquanto observava o ir e vir das coloridas e barulhentas araras. Oxum as saudava com risos de alegria. Voavam ao redor das redondezas fluidas dela, suas curvas corporais parecidas às correntes dos rios, e ela brincava com o espelho, fazendo jogos de luz com os raios do sol refletidos entre as folhas das árvores. As vezes ela mergulhava para escolher alguns seixos, objetos também sagrados dela, e os jogava no ar para as araras os pegarem no bico, em pleno vôo. Depois Oxum convertia os seixos apanhados em colares e cintas para se enfeitar o colo e os quadris.

Certa filha de Oxum tinha se casado com Oxalá, o orixá principal. Era uma de três esposas dele, e as outras duas sentiam inveja dela. Prepararam um ungüento vermelho que colocaram na cadeira dela, fazendo que ela quebrasse dessa maneira um tabu de Oxalá, aparecendo diante dele ensangüentada.

Envergonhada, ela procurou a mãe, Oxum. Então Oxum despiu-se e despiu a filha. Entraram em um lago, deixando fluir o sangue menstrual da filha, que fazia uma mancha vermelha sobre a face da água. Oxum chamou as araras. Elas vieram e voavam perto dela enquanto a orixá disse, "Vou pintar vocês com este o sangue da minha filha, o sangue que significa a fertilidade feminina, o sangue que obedece a regra da lua grávida e da maré cheia. Eis o sangue que pinta o ciclo do tempo e d'água, o ciclo reprodutivo traçado no círculo eterno do seixo, na meiga redondez do seio materno. Vocês ficarão vermelhas, com traços do dourado e azul originais, para dar asas à fecunda criatividade em todas as formas."

Assim dizendo salpicou as caudas e as cabeças dos pássaros preferidos, que extendiam suas penas para maximizar a absorção da cor, dando grasnidos de gozo. Ficaram todos de um vermelho intenso que realçava o azul e o dourado reservados às asas. Em celebração, as araras voaram em formação sobre os verdes das copas das árvores, sobre o branco das nuvens e o azul-celeste do céu, marcando tudo com faixas de fogo ensangüentado. Oxum viu com satisfação o espetáculo, tanto no ar quanto refletido na água.

Depois Oxalá soube do engano das duas esposas, e da transformação do sangue que fizera Oxum. Proclamou então que as penas vermelhas da arara seriam objetos e enfeites sagrados dele, e recebeu novamente a filha de Oxum como esposa.

Até o dia de hoje, algumas pessoas, às vezes, profirem a tolice de que as mulheres devem sentir vergonha do período mensal. Porém as mulheres sábias, e os homens sábios também, se lembram da origem das penas vermelhas da arara, e sentem, com Oxum, o orgulho da capacidade procriadora das mulheres e da criatividade geral.

Tuesday, October 6, 2009

The Tremor

Having skipped breakfast
to make class on time,
I thought it was me.
I thought it was my body shaking my head,
that I was going to faint in hunger.
But then I heard:
"Is your chair moving too?"
And at my affirmation,
we both knew it was a temblor,
not knowing what a temblor is until that moment.
No shaking, no bouncing--just rocking,
as if the earth,
that most seemingly solid substance,
were suddenly the sea,
and my friend and I, seated in our desks,
riders of rowboats rolled gently on the waves.

It was over in a few seconds,
but our astonishment kept growing
like the ripples of a splash in a pond.
Cholula, Puebla, 1989

Friday, September 25, 2009

Los Dorados

Poem for two voices. Based on the legendary golden chief's dive into the lake, but now for two divers...


SHE                                                                HE
reflect                                                             
                                                                        reflect
the light                                                            the light
                                                                        reflect
reflect
the truth                                                           the truth
the glittering surface  
                                                                        the shimmering cutis
adorns the form
                                                                        bedecks the shape
the waters will wash                                           the waters will wash
the waters will wash                                           the waters will wash
what is below?
                                                                        what is beneath?
                                                              an essence
a presence
uncovered                                                       uncovered
unclothed                                                        unclothed
reborn today
                                                                       and reborn tomorrow
liberate me      
                                                                       liberate me
liberate us                                                        liberate us
pure                                                                 pure
good                                                                good
nude                                                                nude